noticiaMocambO Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano de Moçambique anunciou um novo plano para o ensino bilíngue nas escolas primárias do país. O novo modelo implica que cada escola primária lecione na língua nativa mais falada na comunidade em que está inserida, em paralelo com português.

 

Vários estudos sobre o ensino primário têm apontado o uso de português como uma barreira à assimilação dos conteúdos, uma vez que a maioria das crianças moçambicanas não tem o português como língua materna.


A decisão de introduzir o ensino bilíngue nas escolas primárias moçambicanas foi divulgada pela diretora nacional do Ensino Primário, Antuía Soverano. Segundo ela, as crianças começarão o processo de socialização e aprendizagem na sua língua materna. Após consolidados conhecimentos e capacidades em sua própria língua, farão em seguida a transição para a língua de instrução, o português.


Com a inovação, o governo pretende melhorar os resultados no ensino primário e promover a interação na escola. Soverano afirmou ainda que estão sendo preparados instrumentos de apoio aos professores, para a implementação do ensino bilíngue, bem como a produção de materiais de ensino nas línguas locais.
A utilização das 16 línguas nativas de Moçambique, ao lado da língua portuguesa, irá traduzir a expansão deste modelo, uma vez que o ensino bilíngue já tinha sido introduzido a título experimental em algumas escolas do país.


Péssimos resultados


A decisão foi tomada após um inquérito conduzido pelo Banco Africano de Desenvolvimento, em parceria com o Banco Mundial, que constatou graves falhas na área de ensino em Moçambique. O estudo apontou a falta de preparo de professores e diretores de escolas no país.


Mais de 200 escolas participaram da pesquisa, realizada no ano passado. Cerca de 45% dos docentes estava ausente dos estabelecimentos de ensino durante as visitas não anunciadas dos pesquisadores. A situação é tão grave, que apenas 1% dos professores da quarta série primária domina cerca de 80% do conteúdo ensinado.

 

Ensino Superior

Diante do grave problema na formação dos professores moçambicanos, o Banco Mundial aprovou um financiamento de 45 milhões de dólares destinados à Educação Superior em Moçambique. O valor deve ser empregado no Projeto do Ensino Superior, Ciências e Tecnologia, desenvolvido pelo governo do país com o objetivo de aumentar a qualidade dos estudantes graduados e pós-graduados.


Espera-se também que o projeto fomente a pesquisa científica na área econômica e fortifique o ensino técnico-profissional, de modo que o país tenha quadros qualificados. Além disso, parte do recurso será destinada a maior inclusão de alunos de baixa renda.


Fontes: RFI, Lusa.