Na tentativa de encerrar a guerra que já dura mais de 10 anos no Afeganistão, o governo decidiu autorizar a reabertura do escritório político do grupo insurgente Taliban na capital, Cabul. A decisão foi tomada em uma reunião não oficial entre integrantes do grupo, representantes do governo afegão e delegados da Organização das Nações Unidas (ONU). A primeira tentativa de acordo com o Taliban aconteceu em 2013, porém sem sucesso. 

O novo presidente do país, Ashraf Ghani, tem como prioridade as negociações para paz, um de seus principais compromissos de campanha. Porém, a permanência das tropas estrangeiras no país faz o cessar-fogo parecer um passo distante. Essa é a principal reivindicação do Taliban e seria feita no ano passado. No entanto, o governo afegão e os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), liderados pelos Estados Unidos, decidiram adiar a retirada dos mais de 10 mil soldados. 

Outro pedido da milícia durante o encontro ocorrido no Qatar foi a retirada dos nomes de seus principais líderes de uma lista negra de terroristas da ONU, para que possam viajar para as tratativas, de acordo com uma declaração do Conselho Pugwash, uma organização global que prega a resolução de conflitos e co-sediou as negociações.

Estrangeiros como alvo

No anúncio da ofensiva de primavera, feito em março de 2014, o Taliban declarou que os estrangeiros civis ou militares seriam o principal alvo da milícia. No mesmo mês, um atentado foi deferido contra um Centro Comunitário para Estrangeiros na região Sul da capital, que fechou as portas. 

Dezenas de outros ataques foram feitos durante o ano, dentre eles, o assassinato de uma família de trabalhadores de ajuda humanitária sul-africana, o ataque a um hotel cinco estrelas e a um restaurante libanês em Cabul. Os levantes colocaram a comunidade internacional no país em alerta e levaram centenas de estrangeiros a deixar o Afeganistão. Vários projetos e algumas organizações foram fechados. 

2014 foi o ano mais sangrento da guerra que teve início em 2001, registrando um recorde de vítimas civis - 3.699 mortos e 6.849 feridos -, um aumento de 25% e 21%, respectivamente, em relação a 2013. 

Entenda as guerras

A invasão soviética em 1979 desencadeou uma série de guerras que se estendeu até hoje. Após os 10 anos de domínio soviético, em 1989, deu-se início à guerra civil que terminou seis anos depois com a chegada do Talibã ao poder. Os radicais islâmicos ficaram conhecidos pelo governo de total opressão à liberdade, com fotos que circularam o mundo de mulheres de burcas azuis, homens barbudos e um país completamente destruído. 

No entanto, os olhos do Ocidente se voltaram para o Afeganistão novamente apenas em 2001, com o ataque às torres gêmeas nos Estados Unidos. Ato esse que culminou na guerra atual, dos Estados Unidos contra “o terror”, com a invasão do país por tropas da OTAN, na tentativa de acabar com o Talibã e garantir que o local continuasse a ser território de disseminação do terrorismo contra o Ocidente. As tentativas têm fracassado. As guerras já mataram centenas de milhares.

Fonte: BBC, The Guardian